Sobre

a menor distância
entre dois homens
é o afeto

nenhum algoritmo
pode alterar
esse trajeto

(do livro Borda infinita

DECRETO

tomem o ontem
e ordenem
a sua morte

a lã das velhas ovelhas
já não serve
para a neve de amanhã

poupem apenas os gigantes
de seus ombros será possível
admirar os escombros

ato contínuo
convoquem as vozes do exílio
para descartar o entulho
e restaurar o espanto

(do livro “A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã”)

Entre o ser e o paradoxo

“José Enrique Barreiro é um poeta de primeira linha. Ele reúne os elementos essenciais de uma aventura reflexiva realmente ousada, uma inquirição, longamente maturada, do sentido maior da aventura humana, que será sempre uma confrontação entre o ser e o paradoxo”. (Bruno Tolentino, 1940-2007, poeta, na apresentação de O mapa do acaso)

Trajetória e bibliografia

Nascido em Salvador, Bahia, José Enrique Barreiro trabalha profissionalmente com a escrita desde os 16 anos de idade, quando ingressou como repórter no Jornal da Bahia.

Nas décadas de 1970 e 1980 teve intensa participação nos meios culturais baianos como jornalista, crítico de arte, roteirista e diretor de televisão.

Em 1997, já morando no Rio de Janeiro, publica O mapa do acaso, seu primeiro livro de poemas. Nos anos seguintes, como editor, volta-se para a prestação de serviços editoriais e a publicação de livros de diversos autores. A partir de 2018 dedica-se exclusivamente à literatura.

Além de O mapa do acaso (1997, primeira edição, e 2020, segunda edição), publicou A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã (2021), Borda infinita (2022) e A dor que deveras sente (2025).

Escreveu os infantis Declaração de amor (2014) e Quem advinha o que é? (2015), ambos com ilustrações de Jana Glatt.

Gravou os álbuns Palavras que não guardam diamantes e O lugar do herói, também disponíveis para audição no Spotify e em outras plataformas.

Seus livros podem ser adquiridos no site versaleditores.com.br